Junho 2010

Arquivo Mensal

O que é um modelo?

Publicado por Eduardo Ribeiro em 17 Jun 2010 | sob: Definições

Em vários posts faço referência à palavra “modelo”. Mas o que é um modelo?

Modelo é uma simplificação da realidade. Como a realidade geralmente é muito complexa, desenvolvemos modelos para que decisões possam ser tomadas em um processo mais simples.

O relógio, por exemplo, é um dos modelos que considero mais fascinantes. Ele está tão incorporado às nossas vidas que não pensamos nele como uma simplificação da realidade e sim como um objeto do dia a dia. Mas o relógio nada mais é que uma maneira de medir e simplificar um conceito complexo chamado tempo.

Muitas vezes realidade e modelo se confundem. Criamos o relógio para registrar a passagem do tempo, mas mesmo que todos os relógios do mundo desaparecessem, o tempo continuaria passando no mesmo ritmo. Parar um relógio não significa parar o tempo, mas a humanidade criou uma medida padrão desta passagem e vários equipamentos estão espalhados pelo mundo. De forma isolada, cada equipamento representa mais ou menos o mesmo modelo, apenas com pequenas diferenças.

O relógio que está em meu pulso estará marcando neste exato momento um valor (horas, minutos e segundos) muito próximo do relógio que está em seu pulso, mesmo que nunca tenhamos nos visto. Meu relógio foi acertado a partir de outros relógios que você também nunca viu. Mas representamos a realidade “tempo” com o mesmo modelo e valores quase idênticos.

Cada pessoa é totalmente única. Não existem duas pessoas 100% iguais. Mesmo dois gêmeos geneticamente idênticos são diferentes a partir do momento em que suas células se separaram formando dois indivíduos. As pessoas, então, são uma realidade muito complexa para se administrar. Mas, apesar de diferentes, existem grupos de pessoas parecidas. Administrar estes grupos é muito mais fácil do que administrar cada uma das pessoas.

Por isso, criamos modelos que representam as pessoas. Pessoas podem ser representadas por inúmeros modelos com propósitos diferentes: tribos de comportamento, países, classes de escola, time de futebol, comportamento sexual, faixa etária, aparência física, gênero…

São características e modelos utilizados para descrever, de forma simplificada, indivíduos únicos e complexos como eu e você.

Bons resultados e até a próxima

Chega de falar de sorte, ou não…

Publicado por Eduardo Ribeiro em 07 Jun 2010 | sob: Definições

Então chega de falar de sorte e vamos falar um pouco de Inteligência Estratégia. Mas será que a Inteligência Estratégica pode ajudar um pouquinho na sorte?

Recentemente li um livro que achei muito interessante chamado “Super Crunchers”, escrito por Ian Ayres. Neste livro o autor fala e cita muitos exemplos de como as decisões no mundo corporativo podem ser extremamente afetadas pela atividade de análise. O livro trata especificamente das análises que utilizam regressões para prever o futuro com base em comportamentos passados.

Um dos exemplos que me chamou muita atenção foi dos Cassinos Harrah’s nos Estados Unidos. O livro conta que foi desenvolvido um modelo para determinar, com base nas características de cada indivíduo, qual é o limite máximo de perda tolerável de cada pessoa (o que eles chamam de “ponto da dor”).

ficha - ficha

Em outras palavras, indivíduos com características (demográficas e de comportamento) semelhantes possuem um limite máximo aceitável de perdas em uma noite de cassino. Se este limite é ultrapassado, a pessoa fica frustrada (e muitas vezes falida!) e pode nunca mais voltar àquele cassino.

Por outro lado, se este limite sempre for respeitado, o cliente pode associar aquele cassino específico aos bons momentos de ganho ou pequenas perdas. Você prefere que um cliente perca US$ 3.000 em uma noite em seu cassino e nunca mais volte ou tenha uma perda média de US$ 100 por noite e freqüente o seu cassino todos os sábados?

Com este modelo o cassino determina o limite máximo de perda e acompanha os jogadores em tempo real. Quando um jogador está próximo de atingir o seu limite, um funcionário do cassino é enviado para oferecer um benefício qualquer que o afaste do jogo por um tempo.

“O senhor não está tendo uma noite de sorte hoje, correto? Porque não tira uma folga do jogo e aproveita para assistir ao nosso show de dançarinas que está começando agora? Leve este voucher que lhe dará direito a um drink…”

Taí um bom exemplo de um modelo de Inteligência Estratégica que está ajudando a sorte. Neste caso, porém, a sorte é do Cassino que não perderá o cliente esta noite.

Bons resultados e até a próxima.